• Talita Carvalho

O que é SiSU, Prouni e Fies?

Atualizado: Ago 26

Quem está se preparando para ingressar no ensino superior provavelmente já ouviu falar de SiSU, Prouni e Fies. Esses programas foram criados para facilitar o acesso ao ensino superior, seja ele público ou privado, mas cada um deles tem objetivos, funcionamento e condições diferentes.


Nesse texto, explicamos como cada um deles funciona, quem pode se inscrever e como são distribuídas as vagas. Confira!


SiSU (Sistema de Seleção Unificada)


O SiSU é um sistema que unifica o processo seletivo das universidade públicas em todo o país. Aqui temos o primeiro ponto de diferença entre o SiSU e os outros programas: este sistema é destinado apenas para a seleção de vagas em instituições de ensino superior públicas, sejam elas federais, estaduais, Institutos Federais ou autarquias.


Esse sistema foi criado em 2010 pelo Ministério da Educação (MEC) e tem como objetivo simplificar a distribuição de vagas nessas universidades. Na prática, ao invés de fazer um vestibular para cada instituição, você pode se candidatar para qualquer curso, em qualquer instituição, utilizando apenas a sua nota do ENEM.


E quem pode se inscrever?


Para participar do SiSU, o candidato precisa ter realizado o último ENEM e não ter obtido nota zero na redação.


Antes de mais nada precisamos entender...


O SiSU é um sistema onde as universidades mostram o número de vagas que oferecem em cada curso e turno. Grande parte das universidades destinam uma parcela das vagas para o SiSU e continuam realizando o vestibular próprio para o preenchimento do restante das vagas.


Há também universidades que ainda não aceitam o SiSU como forma de ingresso. Por isso, é muito importante estar atento e verificar quais são as formas de ingresso no curso e universidade que você deseja se inscrever!


Também pode acontecer de alguns cursos disponíveis no SiSU exigirem uma prova extra além do ENEM, como por exemplo, provas de habilidades específicas de música e dança.


Como funciona o SiSU?


O SiSU abre duas vezes por ano, para ingresso no primeiro e no segundo semestre. Quando as inscrições são abertas, você acessa o sistema com o seu número de inscrição e senha do ENEM. Após confirmar as suas informações de contato, você pode fazer sua inscrição.


Para escolher as vagas, você pode filtrar as opções disponíveis por curso, universidade e cidade - o sistema é intuitivo e fácil de utilizar. Cada candidato pode se inscrever em até dois cursos, sendo o primeiro deles a escolha preferencial.


Os alunos inscritos são classificados de acordo com a nota do ENEM. No segundo dia de inscrição, o sistema divulgará a nota de corte de cada curso. A nota de corte é a nota do último aluno classificado para aquele curso, isto é, a nota mais baixa que entrou naquele curso. Mas o SiSU não acabou ainda, segue comigo!


O sistema ficará aberto durante quatro dias. Ao longo desse período, os candidatos começam a alterar suas opções de curso e universidade, considerando as notas divulgadas e suas possibilidades de aprovação. Como muitas pessoas fazem essa alteração, o cenário muda ao longo desses dias e as notas de corte costumam cair até o fim das inscrições.


Essa dinâmica tem dois efeitos práticos para o candidato:


  • Caso não tenha conseguido a vaga no curso e universidade que gostaria, você pode alterar suas opções e optar por um curso em que sua nota supere a nota de corte;

  • Mesmo que você não tenha atingido a nota necessária para o curso desejado, é possível que essa nota caia ao longo dos dias e você consiga uma vaga.


Encerrado o período das inscrições, não é possível realizar novas alterações e nos próximos dias o resultado oficial será divulgado. Caso você não passe em nenhuma das suas opções, você poderá optar por entrar na lista de espera. É muito comum que vários candidatos sejam convocados pela lista de espera.


O SiSU e a Lei de Cotas


No SiSU, 50% das vagas são destinadas a alunos que cursaram todo o ensino médio em escola pública.


É importante reforçar que, caso o aluno tenha cursado um período do ensino médio em escola privada, ele já não entra na condição de cotista. O mesmo vale para alunos que estudaram como bolsistas em escolas privadas, nesses casos, os candidatos também não terão direito às cotas.


Dentro das vagas destinadas a alunos que fizeram todo o ensino médio na rede pública, existem ainda outras três subdivisões:


  • Pessoas de baixa renda (renda familiar per capita inferior a 1,5 salários mínimos);

  • Pessoas autodeclaradas pretas, pardas ou indígenas;

  • Pessoas com deficiência ou outras ações afirmativas definidas pela universidade.


O percentual das vagas para candidatos de baixa renda é de 50% do total das vagas para cotistas. Já o percentual das vagas para pretos, pardos, indígenas ou deficientes é calculado proporcionalmente ao número de pessoas nessas classificações em cada estado da federação.


Para ficar mais claro, vamos pensar em um exemplo. A Bahia é o estado onde há o maior número de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, isso significa que na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o percentual de cotas destinadas a esse público será maior do que em uma universidade de Santa Catarina, por exemplo, que tem um número menor de habitantes pretos ou pardos.


Para saber mais sobre o SiSu, veja esse vídeo da Débora Aladim:



ProUni (Programa Universidade para Todos)


O ProUni é um programa que concede bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior em todo o Brasil. Esse programa foi criado em 2004, com o objetivo de ampliar o acesso ao ensino superior.


Na prática, o ProUni funciona da seguinte maneira: os alunos bolsistas estudam em faculdades privadas e o governo paga suas mensalidades de maneira integral (100%) ou parcial (50%). No caso das bolsas parciais, a outra parte do valor é de responsabilidade do aluno.


Quem pode se inscrever no ProUni?


As bolsas do ProUni são destinadas aos alunos que fizeram todo o ensino médio em escolas da rede pública ou em escolas privadas na condição de bolsista. Além disso, a renda familiar bruta per capita não pode ultrapassar 3 salários mínimos.

Para se inscrever no ProUni o candidato:

  • Deve ter realizado o último ENEM e obtido, no mínimo, 450 de média;

  • Deve ter obtido nota superior a zero na redação;

  • Não pode ter diploma de ensino superior.


O ProUni também é oferecido para todos os estudantes com deficiência, independente de terem estudado na rede pública ou privada e aos professores da rede pública atuando no magistério. Em ambos os casos não há necessidade de comprovação de renda.


Quais são os tipos de bolsa do ProUni?


Existem dois tipos de bolsas no ProUni, as integrais e as parciais:

  • Bolsas de 100%: para alunos com renda bruta familiar de até 1,5 salários mínimos por pessoa;

  • Bolsas de 50%: para alunos com renda bruta familiar de até 3 salários mínimos por pessoa.


O ProUni usa sistema de cotas?


Sim! O ProUni também tem parte das vagas destinadas às políticas afirmativas. O percentual de vagas reservadas varia conforme o percentual de pessoas pretas, pardas e indígenas em cada unidade da federação, considerando o último censo do IBGE.


Como funciona o ProUni?


Para se inscrever no ProUni, o aluno acessa o sistema com o número de inscrição e senha do ENEM. Cada candidato pode se inscrever em duas opções de curso, turno ou faculdade. As vagas disponíveis podem ser buscadas por cidade, curso e faculdade.


As inscrições do ProUni ficam abertas por 4 dias e, da mesma forma como no SiSU, os candidatos podem alterar suas opções ao longo desse período. Essa possibilidade de mudança é muito positiva, pois caso você não atinja a nota de corte para o curso desejado, é possível verificar se existe outra opção de curso ou faculdade onde você pode conseguir uma vaga.


Alguns dias após o encerramento das inscrições são divulgados os resultados oficiais e os estudantes contemplados são convocados para entregar as documentações comprobatórias e realizar a matrícula.


As vagas que ficarem ociosas são novamente distribuídas pela ordem de classificação dos alunos e uma segunda chamada é realizada. Os alunos que não forem convocados em nenhuma das chamadas poderão manifestar interesse em entrar na lista de espera para o caso de vagas remanescentes.


Para saber mais sobre o ProUni, veja esse vídeo da Débora Aladim:




FIES (Fundo de Financiamento Estudantil)


O Fundo de Financiamento Estudantil é um programa que financia os cursos de ensino superior em faculdades privadas. O Fies funciona como um empréstimo feito pelo governo, que deverá ser pago após a conclusão do curso.


A diferença do FIES para um empréstimo comum são as condições muito especiais que esse programa oferece, como a taxa de juros zero e o pagamento do saldo devedor de acordo com renda daquela pessoa.


O FIES é destinado à pessoas cuja renda familiar bruta por pessoa é inferior a 3 salários mínimos. Além disso, para concorrer é necessário:


  • Ter realizado alguma das edições do ENEM a partir de 2010;

  • Ter obtido pelo menos 450 pontos na média do ENEM;

  • Não ter zerado a redação (a partir de 2021, a nota mínima da redação será de 400 pontos).


Como funciona o FIES?


O FIES abre as inscrições a cada semestre e o candidato pode optar por até 3 cursos/turnos ou instituições de ensino. Encerradas as inscrições, os pré-selecionados convocados devem entregar os documentos que comprovem as informações de renda para então contratar o financiamento.


FIES e ProUni


Caso um candidato tenha sido aprovado no ProUni com a bolsa parcial (50%), mas não tenha condições de realizar o pagamento da sua mensalidade, ele poderá se inscrever para o FIES e financiar a parte do valor não coberta pela bolsa, desde que atenda também aos requisitos desse programa.


Quadro resumo do SiSU, ProUni e Fies



Veja também:


Como calcular a renda familiar mensal per capita para o SiSU, ProUni e Fies?

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